Este ano "comemora-se" no Brasil os 10 anos do pentacampeonato mundial de futebol. A Globo dedicou grande parte do seu programa esportivo dominical (1/7/12) a essa data. Lembrou "heróis", carregou de sentimentalismo jogadas e gols, louvou a política do pão e circo do século XXI, com seus coliseus (estádios de futebol) que sugam feito esponjas o dinheiro público em construções faraônicas, para que porcos sugadores estrangeiros se locupletem na terra tupiniquim durante um mês, no ano de 2014. E depois? Ah, isso deixa para depois...
Outro decênio fez aniversário. A greve de 99 dias das universidades federais no fim de 2001 e início de 2002. Alguém relembrou? Alguém "comemorou"? Aliás, quantas pessoas sabem que novamente, em 2012, as universidades e Institutos federais estão com as atividades paralisadas há 40 dias? Isso a Globo não comemora, não mostra, não destaca. Afinal, o que é mais importante, o futebol ou a educação? A resposta é clara, não?
A despeito dessas duas datas "festivas", o que se destaca é qual o caminho que vem seguindo esse país que se vangloria como a 5° economia do mundo. Nesses últimos 10 anos, o que aconteceu no Brasil? Muitos dirão que a economia cresceu, que o Brasil se tornou referência mundial, que tem influência internacional. Pois é, tudo verdade. E o que de fato mudou internamente? Quem de fato ganhou com isso? Será que as políticas assistencialistas que nasceram com FHC e se reproduzem infinitamente com Dilma são sinais de eficiência política? Será que oferecer esmolas a uma classe sofrida é o caminho para melhoria social efetiva do país? Obviamente, quem tem fome não espera. Essas políticas foram e são necessárias em caráter emergencial, mas não pode se restringir a isso. Em que essa população vilipendiada vai avançar apenas com migalhas? Vai matar a fome por alguns dias e esperar o próximo mês ansiosamente para o novo auxílio. É uma vida de espera, quiçá de esperança (do verbo esperar). E que me perdoem os divulgadores incautos de ditados obtusos, mas quem espera nunca alcança.
A única verdade nisso tudo é que a política contaminada desde os primeiros portugueses que aqui pisaram se tornou endêmica. As classes dirigentes aprenderam com Gilberto Freyre: para a Casa Grande continuar governando, é preciso deixar a senzala comer um pouco melhor! Eis o Brasil do século XXI.
E a Casa Grande "nunca antes na história desse país" ganhou tanto. No governo de "esquerda" do PT nunca os bancos lucraram tanto, recordes atrás de recordes. Nunca os latifundiários do agronegócio (vinculados a multinacionais exploradoras) ficaram tão ricos. Nunca os especuladores internacionais do mercado financeiro fizeram tanto dinheiro fácil.
E os sem-terra? E as favelas? E a escravidão infantil? E a prostituição internacional? E a saúde deficitária? E a segurança precária? E a educação ínfima? Tudo isso parece não mudar! Na sociedade, de fato, as coisas continuam iguais. 10 anos de mais do mesmo. 10 anos sem ter o que comemorar. 10 anos de governos ineficientes, marcados pela corrupção, e antissociais.
Mas para voltar as duas comemorações iniciais, quais as felicitações a regojizar? Nem no futebol somos referência mais. O sonho acabou e a realidade é perversa. O pais antes do futebol, agora é o país do dinheiro fácil para poucos. Enquanto isso, a educação piorou veementemente. Já não se privilegia pesquisa e extensão, e educação se restringe a ensino. Há 10 anos o professor tinha remuneração 3 vezes maior que hoje. Uma das categorias mais respeitadas socialmente, é a menos valorizada. Profissionais competentes abandonam a docência em busca de algo melhor. Qual será o impacto disso em alguns anos?
O Brasil se perdeu no olho do furacão da corrupção, do dinheiro fácil e da impunidade latente. Um país que esquece de seu povo e dos pilares básicos de desenvolvimento pagará a conta em breve. Findada essa era das festividades internacionais no Brasil (Copa e Olimpíadas), os investidores-gafanhotos abandonarão a plantação tupiniquim esgotada e voltarão suas garras para uma nova que aparecerá. Aqui restará o salão sujo e esgotado. Ninguém bancará a limpeza. A ressaca será forte. E a dor de cabeça durará anos a fio. E a conta, bem, essa sabemos quem vai pagar. E no fim, a velha máxima lampedusiana: "tudo muda, para que tudo continue exatamente igual".
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